
Caríssimos
Como alguns colegas, poucos, não tiveram a oportunidade de estar na nossa última caravana, venho fazer a narrativa da mesma e partilhar com eles tudo o que aconteceu.
Começo por falar da questão da super-lotação. Aquele autocarro simplesmente não chega para nós. Sufocante e claustrofóbico. Sugiro à direcção deste estabelecimento que passe a contratar um veículo de 2 pisos que consiga transportar condignamente os muitos consultores que frequentam estes momentos de celebração. Teria ainda a vantagem acrescida de que para vermos algumas casas nem seria preciso sair cá para fora, bastando subir ao piso superior e espreitar lá para dentro.
O pobre do Carlos Lopes não conseguiu chegar a horas e foi-lhe negada a entrada no navio, pelo que passou a caravana toda a tentar alcançar-nos num barco a remos. Por uma ou duas vezes ainda conseguiu apanhar-nos, mas assim que se aproximava lá partíamos nós outra vez. Está bastante mais magro.
Aproveitei este tempo para tentar convencer o Ricardo e a Sara a saltarem de pára-quedas com o Hugo, mas ele disse-me que não o pressionasse porque a Sara tinha vertigens. A Sofia concordou. Já uma vez subiu a uma pirâmide no México, e depois teve que esperar lá em cima que os Incas a fossem buscar. Já o Hugo, num contacto em directo que lhe fizémos do local, informou-nos que afinal ter mais de 100 Kg não é um problema para poder saltar, o que muito desanimou o Ricardo e alegrou o Fernando Fernandes. Entretanto ficámos a saber que o Góis também vai lá acima mandar-se do avião cá para baixo.
A Clara, penso que foi ela, a meio desta espera abriu uma das caixas de bolos que tinha trazido para nos dar graxa para o imóvel dela, e começou a distribuí-los pela malta. Como quase toda a gente está a fazer dieta, tive que parar aos 2 Kg, porque a insulina já estava acima dos 425.
A caminho da Av. do Brasil, a Teresa, nossa mentora espiritual, sugeriu que fizéssemos uma nota de amor à pessoa que mais gostamos na agência, e que depois o objecto do nosso desejo a lesse em voz alta. Foi assim que fiquei a saber que
alguém gosta da Sara porque
sim, que a Sara gosta da Teresa porque ela representa todos os nossos objectivos, e que a Teresa por sua vez gosta dum tal de Romão porque ele tem um sorriso bonito. Há ainda outro que gosta da Jussemide porque ela é grande e é sexy (ela nega que seja grande). Quanto a mim, gosto do
anónimo, porque ele em momentos de loucura se veste de mulher. Já o Abel, que embora seja um gajo áspero tem um grande coração, gosta não de uma mas de duas pessoas, entre as quais eu me encontro. No seu enorme carinho revelou-me que estou a ficar diabético. “És um bruto, mas estás a adoçar.” - escreveu-me ele na sua nota de amor. Simpático o moço. Ainda há gente simpática.
A certa altura o Góis perguntou-me se eu sabia o que a minha filha de 21 anos estava a fazer naquele preciso momento. Não sabia. “É que este fim-de-semana vou roubar o carro ao meu pai que está nos EUA e pirar-me até ao Algarve com um amigo, e ele pensa que está tudo bem. E bem vistas as coisas eu tenho idade para ser teu filho.”. F?!%# !!! Para trás, marginal. A minha filha não vais tu conhecer.
Um problema que tem de ser resolvido é o da Mónica Silva que sistematicamente faz disparar o alarme de excesso de peso de todos os elevadores. Assim não é possível, perde-se imenso tempo. Ou emagrece, ou passa a ir a pé.
Quanto às casas, a que mais gostei foi a do Bruno, que fica num trigésimo andar, ao pé da Portugália, à saída do Metro. Uma vista deslumbrante! As escadas até lá é que podiam ser melhoradas. Também gostei da do Brosa, mas as fotografias distraíram-nos do nosso objectivo principal. O senhor estava cá em baixo à porta e no fim ainda nos disse obrigado. Nós é que agradecemos, amigo.
E o Sr. Antunes? Já vos falei do Sr. Antunes? Ah, aquele homem…
Agora que já sabem o que perderam, estou certo que da próxima vez lá estarão, mesmo que tenham que faltar a uma escritura.
Deste que muito vos ama e não esquece
Paulinho das Meiguices
P.S. - As regras do jogo das notas de amor não eram bem assim como vos contei, mas tudo o resto é rigorosamente verdade.